Se não é difícil situar no tempo os factos históricos que aconteceram após a descoberta da escrita, uma vez que os documentos escritos nos facilitam essa tarefa, já o mesmo se não pode dizer dos acontecimentos pré-históricos.
De facto, para os tempos pré-históricos não se podem calcular datas com o mesmo rigor, sendo mesmo admissíveis erros na ordem dos milhares de anos. E isto a pesar do recurso a métodos científicos que garantem ao historiador o máximo de verdade possível.
Para além do tradicional método da estratigrafia — estudo dos diferentes estratos ou camadas geológicas sobrepostas — o historiador utiliza hoje outros métodos mais avançados, nomeadamente a dendrocronologia e o método do carbono 14.
A dendrocronologia, consiste em calcular datações com base nos círculos de crescimento das árvores, comparando os troncos das mais novas com os das mais antigas. É um método que nos permite fazer datações até cerca de 4.000 anos.
O método do carbono 14, consiste em notar sinais de envelhecimento das pessoas (cabelos brancos, rugas, alterações de pele, etc.), também os demais organismos vivos apresentam um tipo de reação ao passar do tempo. Enquanto vivos, eles contêm uma quantidade constante de carbono radioactivo (carbono 14), que pode ser medida. Quando os organismos morrem, cessa a aquisição daquele carbono 14 (C14) e, com o tempo, vai diminuindo, em proporção sempre igual, a reserva acumulada, uma vez que não pode ser substituído. Consegue-se, portanto, pela análise do C14 existente, calcular a época em que o organismo morreu, desde que se tenha conservado sem contaminação.
O carbono 14, sob a forma de dióxido de carbono, é absorvido através da atmosfera pelas plantas e depois pelos animais através da cadeia alimentícia. Após a morte dos seres vivos, o carbono 14, decompõem-se a uma velocidade fixa.
Graças a este processo, consegue-se avaliar, com bastante precisão, o período em que foram utilizados materiais como madeira, carvão vegetal, turfa (carvão fóssil), couro, tecidos, conchas, dentes, marfim, ossos, etc. Este método permite datar vestígios de 50.000 anos. Para datações de vestígios mais antigos pode usar-se o método árgon 40 (K40 / A40).
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